Boa leitura e boas reflexões meninas.
Noele era a terceira filha de uma mãe sofrida e de um pai alcóolatra, que espancava tanto os filhos quanto a esposa.
Talvez por ser a terceira filha (a famosa filha sanduíche, a do meio), se sentia sempre preterida e rejeitada.
Pelo fato do seu pai fugir ao protótipo do pai normal, cresceu sempre com a carência de uma figura masculina e se sentindo rejeitada, na verdade até provocando e aceitando essas situações.
Noele sempre se refugiava em seu mundo de fantasias, onde tudo era perfeito, o pai, a mãe, os irmãos e finalmente, o príncipe encantado.
Em seus devaneios, encontraria o tal príncipe que a tiraria daquela vida, a levaria para o seu palácio (que deveria ser uma casa de dois andares com piscina), que não beberia, teriam filhos e viveriam felizes para sempre.
Esses eram os planos traçados por ela, mas nem sempre a realidade sai de acordo com nossos planos.
Em meio a uma vida da qual queria fugir, Noele foi se refugiando nos romances e sonhando com seu príncipe e sua vida perfeita.
E assim, Noele cresceu, mas embora não fosse feia, não era uma garota que fizesse muito sucesso com os garotos e nem arrebatasse corações.
Na adolescência se apaixonou por um vizinho, dois anos mais velho que ela, mas ele nunca a notou.
Essa foi a primeira das muitas decepções amorosas de Noele.
Sua segunda paixão platônica, a ridicularizava por ter pernas muito grossas, dizia que pareciam troncos de árvores.
Sua auto estima sempre foi baixa. Todas as amigas do colégio tinham namorados e fãs no colégio, menos ela.
Noele era rebelde e parecia estar sempre mendigando amor.
Até que aos quinze anos, Noele conseguiu finalmente arranjar seu primeiro namorado.
Toda contente, “se sentindo” o levou em casa (afinal, isso era sinal de status), mas na primeira vez em que o rapaz foi à padaria, um vizinho engraçadinho contou toda a história “bonita” do pai de Noele.
Isso foi o suficiente para que ela se sentisse humilhada e se afastasse, se sentindo envergonhada.
O tempo passou e, finalmente, Noele, ainda virgem ( por falta de oportunidade) encontrou o seu príncipe encantado.
E foram felizes para sempre...
Não, aqui é que a história começa.
Seu príncipe se chamava Eduardo, e no início do namoro, era realmente um príncipe.
Fazia todas as suas vontades, aturava todas as suas imaturidades, mas como costumo dizer, os homens são príncipes até nos comerem, depois viram sapos.
Há vários tipos de sapos, e Eduardo era o tipo de sapo/ príncipe/ marido: chato, mal humorado, ranzinza, companheiro, com objetivos comuns, trabalhador, caseiro e amoroso.
Até que depois de sete anos de casado, com dois filhos pequenos, botou um belo par de chifres em Noele.
Aí perdeu todo status de sapo/príncipe/ marido e ficou só com o de SAPO.
Isso doeu em Noele como se ele tivesse cravado uma faca em seu peito, mas ela ainda queria acreditar em conto de fadas, afinal, ele não bebia, não batia nela, ela tinha seu “castelo” e achou que podia passar por cima desse “ pequeno tropeço” do príncipe /sapo encantado.
Pobre ingênua Noele! Achou que conseguiria voltar no tempo e retomar do ponto antes do “pequeno incidente”.
Acabou a admiração, acabou o amor, acabou o respeito, mas continuou o casamento por mais nove anos. Até que Eduardo morreu.
Então, de princesa, Noele passou a sentir a bruxa malvada, que não soube perdoar, pois na verdade, nunca o perdoou.
Ou quem sabe, nunca tenha perdoado o desmoronar do seu castelo, saber que Eduardo não era um príncipe e sim, um homem comum, com defeitos e qualidades.
Noele entrou em depressão por dois anos, onde se punia de todas as maneiras possíveis, colocando Eduardo em um pedestal e a ela, no purgatório.
Em sua cabeça desnorteada, Noele viveria somente para criar seus filhos, não tendo o direito de ser feliz, já que tinha tantos pecados a expurgar.
Mas o tempo é sábio e fez com que Noele conhecesse Fábio, um outro príncipe, que repetia as mesmas atitudes encantadoras de Eduardo.
Na sua cabeça enlouquecida de dor e de remorsos, achava que podia consertar todos os erros cometidos com Eduardo, não os cometendo com Fábio.
Mas Fábio era um SAPO com letras MAIÚSCULAS (conhece lobo em pele de cordeiro? Esse era o Fábio).
No início Noele não queria nada com ele, afinal, precisava se punir. Mas de mansinho, ele a cativava.
Era gentil, amigo, prestativo, afetuoso e ela acabou caindo na conversa do até então, príncipe.
Noele caiu naquela velha história do “estou me separando, meu casamento não dá mais certo”, e todas as baboseiras que os sapos dizem quando querem levar uma mulher para cama.
Nesse chove não molha se passaram dois anos, até que a ficha caiu e Noele o encostou na parede. Então, ele como belo SAPO que era respondeu:
_ Mas você sabia que eu era casado. Não tem o direito de me cobrar nada.
Depois de muito chorar, sofrer, se humilhar, finalmente Noele cresceu e começou a ver o mundo com as cores reais e não mais todo em cor de rosa como ela tinha pintado.
QUESTIONAMENTOS :
- Noele procurava em um homem o que queria ter tido em um pai?
- Por que Noele se sujeitava a situações as quais se sentia humilhada?
- Por que, se queria ser princesa, levou dois anos como amante?
- Se não foi capaz de perdoar Eduardo, por que manteve o casamento?
- Por que se sentiu tão culpada pela morte do Eduardo se não contribuiu em nada para que ela acontecesse?
- Até onde nós, as Noeles da vida, permitimos que os príncipes se transformem em sapos?
- Ou será que nós ESCOLHEMOS sapos fantasiados de príncipes?
- O quanto nossa baixa auto estima nos atrai para os sapos?
- O quanto nós, Noeles, fingimos não perceber os sinais que os príncipes/ sapos nos dão?
- Por que só entendemos os sinais da maneira que queremos?
- Por que achamos que podemos consertar um erro repetindo o MESMO erro?
- Por que jogamos a nossa felicidade em cima do outro?
- Não somos capazes de sermos felizes sem alguém?
- Será que estar com alguém vale qualquer preço?
- Por que idealizamos o outro sem vê- lo como realmente é?
É procurar mecanismos para não nos envolvermos em tais situações.
Costumo dizer que as pessoas só fazem conosco aquilo que permitimos.
O que você permite que façam com você?
Somos várias Noeles, em várias situações, diferentes ou semelhantes, mas que podemos repetir sempre os mesmos erros ou aprender com eles e modificar nosso modo de encarar as relações, nos fazendo respeitar.
Mas podemos também, insistir sempre nos mesmos erros e continuar reproduzindo-os por toda vida.
Nós somos responsáveis pelas nossas atitudes e as consequências que resultam delas.
Por favor, não esqueçam de divulgar meu "Diário de Paris 1: Europa sem Censura ou Como se alimentar na Europa sem Gastar nenhum tostão e ainda se sentir Poderosa ( Amazon e Saraiva), estou lá embaixo na colocação. Conto com vocês. Obrigada. Beijos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Gente, estou esperando pelos comentários e sugestões, pode ser para o bem ou para o mal. Estou pronta para elogios e críticas. Obrigada.